quinta-feira, 29 de março de 2007

"Helloooooo, tipo assim, cara..."


"Helloooooooo, tipo assim, cara, a Bia é minha miguxa, sem noçãooooo". Pelo tipo de frase, podemos deduzir que se trata de uma adolescente típica, dessas que circulam a tarde inteira nos shoppings, atrás das últimas tendências fashion. Eu me pergunto: "O que se passa dentro da cabeça desses adolescentes de hoje em dia?"

Inúmeras tentativas de adivinhação depois, eu cheguei à conclusão: "É melhor desistir!". A pluralidade de interpretações para a cultura inútil da juventude atual vai além dos testes de auto-conhecimento de revistas "direcionadas" a esse público. Hoje em dia, você não precisa ter, basta parecer que tem. E você vira "top", a sensação da "galera". O que sobra em futilidade acaba faltando na busca de armas para o entendimento dos problemas sociais que assolam o Brasil.

Enquanto o poder de alienação se faz crescente a cada instante, os jovens não reagem, apenas se entregam a esse turbilhão de abobrinhas que mais servem para dispersar do que instruir. Mas isso é que é "maneiro". Ler, hoje em dia, só se for o "blog da Paulinha", ou tópicos de comunidades irrelevantes do Orkut. Notícia não é mais fato, mas sim, a foto da "Paty com o cara da festa da Cris". Isso rende mais do que discutir sobre o PIB brasileiro. A convergência de ambos é a comédia.

Tornou-se relevante acompanhar as mazelas do "Big Brother", num contexto onde supervalorizamos o que, de fato, não nos serve para nada. Mas em se tratando de atualidade, raras são as opções que realmente valem alguma atenção.

Não é culpa - em parte - dos jovens. O problema é mais complexo, mais profundo, pois abrange o poder econômico e a troca de interesses da classe dominante. Os leques do entretenimento descartável engolem quaisquer propostas de se promover programas mais elaborados, que nos façam refletir, que instruam, que nos façam absorver conhecimento. Mas essa mesma classe dominante não "entregará o ouro aos bandidos" facilmente. Nesse caso, o "ouro" é esse conhecimento adquirido - ou que ainda se possa adquirir. Os bandidos, sob o mesmo ponto de vista, somos nós. Criou-se, então, a "cultura inútil", cada vez mais difundida, que nada mais serve para alienar e ocultar os verdadeiros interesses por trás disso.

Por outro lado, culpo os jovens, sim. As bibliotecas estão às moscas. Se a desculpa é o conforto e a rapidez que a internet nos traz, tudo bem, mas ela é mais usada como entretenimento do que fonte de pesquisa. Mas o problema não é esse, é a vontade de lutar contra um sistema que se instalou há várias gerações - e que dificilmente será desarmado. Para a juventude, é mais prático ver e torcer por um cidadão pobre, demasiadamente exposto no "Big Brother", do que tentar entender o porquê da pobreza, ou dos fatores sociais interligados à ela e a outros problemas que o nosso país atravessa há anos.

Um quadro "cinza" da nossa realidade, que eu não tenho a certeza se ganhará "cores". Talvez ganhe, sim, as cores da nossa bandeira: azul, vermelho, com 50 estrelinhas brancas, para enaltecer um patriotismo que nos foi imposto - não o nosso, mas o dos nossos novos "colonizadores".

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