
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Novidades

domingo, 29 de abril de 2007
Em breve... Biografia!
Mário Lago
Domínio

sábado, 28 de abril de 2007
Depois do afastamento, a volta...

segunda-feira, 2 de abril de 2007
quinta-feira, 29 de março de 2007
As Três Peneiras

Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?
- Três peneiras?
- Sim. A primeira peneira é a Verdade. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer por aí mesmo. Suponhamos então que seja verdade. Deve então passar pela segunda peneira: a Bondade. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: Necessidade. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?
E, arremata Sócrates: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu irmão nos beneficiaremos. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos e colegas. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.
PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDÉIAS!
PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS!
PESSOAS MEDÍOCRES FALAM SOBRE PESSOAS!
"Helloooooo, tipo assim, cara..."

Inúmeras tentativas de adivinhação depois, eu cheguei à conclusão: "É melhor desistir!". A pluralidade de interpretações para a cultura inútil da juventude atual vai além dos testes de auto-conhecimento de revistas "direcionadas" a esse público. Hoje em dia, você não precisa ter, basta parecer que tem. E você vira "top", a sensação da "galera". O que sobra em futilidade acaba faltando na busca de armas para o entendimento dos problemas sociais que assolam o Brasil.
Enquanto o poder de alienação se faz crescente a cada instante, os jovens não reagem, apenas se entregam a esse turbilhão de abobrinhas que mais servem para dispersar do que instruir. Mas isso é que é "maneiro". Ler, hoje em dia, só se for o "blog da Paulinha", ou tópicos de comunidades irrelevantes do Orkut. Notícia não é mais fato, mas sim, a foto da "Paty com o cara da festa da Cris". Isso rende mais do que discutir sobre o PIB brasileiro. A convergência de ambos é a comédia.
Tornou-se relevante acompanhar as mazelas do "Big Brother", num contexto onde supervalorizamos o que, de fato, não nos serve para nada. Mas em se tratando de atualidade, raras são as opções que realmente valem alguma atenção.
Não é culpa - em parte - dos jovens. O problema é mais complexo, mais profundo, pois abrange o poder econômico e a troca de interesses da classe dominante. Os leques do entretenimento descartável engolem quaisquer propostas de se promover programas mais elaborados, que nos façam refletir, que instruam, que nos façam absorver conhecimento. Mas essa mesma classe dominante não "entregará o ouro aos bandidos" facilmente. Nesse caso, o "ouro" é esse conhecimento adquirido - ou que ainda se possa adquirir. Os bandidos, sob o mesmo ponto de vista, somos nós. Criou-se, então, a "cultura inútil", cada vez mais difundida, que nada mais serve para alienar e ocultar os verdadeiros interesses por trás disso.
Por outro lado, culpo os jovens, sim. As bibliotecas estão às moscas. Se a desculpa é o conforto e a rapidez que a internet nos traz, tudo bem, mas ela é mais usada como entretenimento do que fonte de pesquisa. Mas o problema não é esse, é a vontade de lutar contra um sistema que se instalou há várias gerações - e que dificilmente será desarmado. Para a juventude, é mais prático ver e torcer por um cidadão pobre, demasiadamente exposto no "Big Brother", do que tentar entender o porquê da pobreza, ou dos fatores sociais interligados à ela e a outros problemas que o nosso país atravessa há anos.
Um quadro "cinza" da nossa realidade, que eu não tenho a certeza se ganhará "cores". Talvez ganhe, sim, as cores da nossa bandeira: azul, vermelho, com 50 estrelinhas brancas, para enaltecer um patriotismo que nos foi imposto - não o nosso, mas o dos nossos novos "colonizadores".
quarta-feira, 21 de março de 2007
Realidade e ficção: onde começa uma e termina a outra?

“Princípio. Honra. Dignidade. Valores que podem se perder na batalha pela vida?”. Lançando mão de uma simples pergunta, Gilberto Braga colocou a ética em xeque, ao discutir problemas sociais jamais mostrados numa telenovela. E o que foi mostrado – corrupção, remessa ilegal de dólares para o exterior, alpinismo social, alcoolismo, homossexualismo, entre outros – suplantou os limites do que era considerado “ficção”. A eterna luta do bem contra o mal era traduzida pela incompatibilidade de personalidades de mãe e filha, Raquel e Maria de Fátima, respectivamente. A primeira, simplória, acreditava que valia a pena ser honesto no Brasil. A segunda, por meio de uma ideologia torta, porém, de certa forma lógica, mostrou o que víamos em 1988, e o que ainda vemos e o que ainda veremos: a honestidade é apenas um substantivo abstrato. Nada mais.
A novela não só retratava os valores sociais, como fazia o povo refletir. E, mais do que isso, tinha o poder de debater nossos problemas àquela época, mas que nos dias de hoje, continuam muito atuais. Era difícil saber se assistíamos a um capítulo de novela ou um noticiário, pois nunca realidade e ficção foram tão próximas numa novela.
Uma novela pode ter, sim, uma forte contribuição social. VALE TUDO foi a pioneira ao relatar o drama do alcoolismo com maior densidade, transposto pela personagem Heleninha Roitmann, que foi buscar ajuda nos Alcoólicos Anônimos (“AA”), o que também ajudou vários brasileiros que passavam pelo mesmo problema.
O simbolismo da impunidade foi retratado pelo corrupto Marco Aurélio, ao dar uma “banana” com as mãos para tudo e todos. A imagem marcou e definiu o tipo de mentalidade que alguns brasileiros têm, quando levam a sério a “Lei do Gérson”, onde “temos de levar vantagem em tudo”.
Por tudo isso, a conclusão que tiramos é que o duelo honestidade x corrupção sempre vai existir. Ilusão é acharmos que “amanhã é um novo dia”. É um novo dia no calendário, não na realidade. Seremos sempre Marias de Fátimas e Raquéis, num duelo interno, que sempre nos questionaremos: vale a pena sermos honestos?
E a resposta para a pergunta acima? Evidentemente que não temos, nem teremos. Os fatores externos nos pressionam para a eterna dúvida. Não que isso seja uma deformação de caráter, mas sim, uma cultura difundida desde que nascemos. E, enquanto vivermos, veremos o Brasil, seja na novela ou no noticiário, passar na TV e mostrar a sua cara.
Eduardo Nassife, Rio de Janeiro, 29 de abril de 2006.
segunda-feira, 19 de março de 2007
Cultura... "Cul o quê?"

O que é cultura? O que é preciso ter - ou ser - para sabermos quão cultos somos? E quão incultos seremos? Na aula de Cultura Brasileira, na faculdade de Comunicação Social que curso, eu aprendi que todos os homens são cultos, pois "cultura é tudo o que o homem faz". Mas eu também aprendi que um indivíduo pode ser considerado "inculto" quando passamos a considerar a sociedade dividida por classes sociais. O irônico disso tudo é que "cultura", quando inserida num contexto plutocrata, depende mais de esforço individual do que de dinheiro propriamente.
Caso essa minha afirmação seja contestada, passarei a acreditar piamente que os jogadores de futebol e os pagodeiros são fortes candidatos ao preenchimento de futuras cadeiras na Academia Brasileira de Letras. Claro que isso não é regra. Nem todo pagodeiro tem, necessariamente, de ser "inculto", mas já imaginou um pagodeiro recitando Os Lusíadas, por exemplo? "Os quem?", perguntariam, certamente. E, claro, estariam destoados da grande massa que consome seus produtos - aquela mesma que vota naquele candidato que coloca o "Babado Novo" num showmício, afinal, "ele fez alguma coisa pelos pobres, pelo menos, trouxe diverção!". Ops, é diverSão! Com S! A culpa é da professora, que não passou ditado para reforçar a ortografia.
Não! A culpa é nossa, a culpa é dessa cultura infeliz que carregamos há 507 anos, onde temos de "dar um jeitinho brasileiro" para tudo que se queira obter. Corrupção, violência, impunidade. Palavras que, de abstratas nos alçam à grande realidade brasileira. Um país que se desenvolve com 500 anos de atraso, um país onde "tudo se planta dá". Pergunto: cadê as sementes dos valores que somos ensinados a plantar, desde crianças? Que frutos deram? Árvore podre, salve-se quem puder. "Farinha pouca, o meu pirão primeiro!". É essa a nossa mentalidade. Crescemos não para prosperar, mas para saber onde podemos levar mais vantagens, qual é o caminho mais rápido do enriquecimento ilícito. É com essa vertente que governam o nosso "idolatrado, salve, salve", pois o exemplo, que deveria vir de "cima", na verdade, está entre os milhares de dólares encurralados numa mala que certamente será mandada para o exterior.
Viver honestamente? Isso é cafona hoje em dia! Como também é cafona ser leal, amigo, fiel, digno. São os chamados "valores de classe média". Que classe? Como num deboche de "caboclos tentando ser ingleses", eles acham "chique" serem desprovidos desses valores. Valor, pra grande massa, é o que se tem dentro da carteira, ou o limite de um cartão de crédito. De preferência que seja "Gold". A sociedade brasileira é podre, hipócrita, mesquinha. Classe vem de berço. E o Brasil nasceu num curral. Somos infelizes desde a nossa descoberta, por termos sido colônia de exploração.
Somos infelizes por termos pessoas incompetentes e covardes que comandam o nosso país. Somos infelizes por não termos cultura, por vendermos a nossa identidade pra qualquer advento tecnológico do Grand Monde. Somos infelizes por não termos instrução para votarmos melhor nas próximas eleições; por sabermos que mais 4 anos virão e nada vai mudar. Cafona, pra mim, é quem tem a triste ilusão de que esse país tem jeito. Tem jeito sim, mas não há interesse pra que isso seja mudado. Quanto mais pessoas instruídas, mais vão lutar pelos seus direitos, menos impunidade o Brasil terá, chocando-se com o que o nosso Governo quer. O que ele quer é continuar desconcentrando o povo dos grandes problemas sociais que a nossa Pátria atravessa há 500 anos. Será que serão necessários mais 500 anos pra que essa prostituta chamada Brasil recupere sua auto-estima e seja, de verdade e sem piada, um país em desenvolvimento? Quando iremos, enfim, parar de progredir no mundo da decadência humana? Pra que as mudanças possam ocorrer, basta que tenhamos vontade. Somos infelizes há 500 anos, mas se lutarmos um pouquinho por justiça social, com a verdadeira vontade de mudar; aí, sim, poderemos revolver a esperança de que esse país - idolatrado, salve, salve! - pode ter jeito...



