
Bom, depois de quase um mês sem postar aqui, vi que já era a hora de voltar, não por obrigação de sempre postar aqui, mas por vontade mesmo. Durante esse período, recuperei-me de uma cirurgia realizada em meado de março e viajei em férias - breves - para Paraty, na Semana Santa, com uma grande amiga, a Ana Thereza, "Tetê" para os íntimos. Para mim, ela sempre será a "Traveca". Não que ela seja um travesti - pelo menos, fisicamente não o é. Tetê e eu nos divertimos muito, escancaradamente felizes, pelas ruas do Centro Histórico - irretocável, lindo mesmo. Nunca tinha ido em Paraty, e confesso: fui tarde demais; eu poderia ter descoberto aquela maravilha antes mesmo de até viajar pro exterior. Mas talvez se tivesse ido antes, não teria a companhia da minha adorável Tetê. Talvez não tivesse rido o que eu ri, ou melhor, pluralizando, o que nós rimos. Foi, sem dúvida, uma das melhores viagens que fiz na vida.
Já durante a ida, começamos a gargalhar com histórias que, certamente, serão póstumas em nossa biografia. Durante a parada do ônibus, lá pela altura de Mangaratiba, um ônibus igualzinho ao nosso, também estava parado - e pronto para sair, pois seu horário de parada estava esgotado. Eu - tinha de ser! - no meu melhor estilo "virginiano" (e olha que a virginiana era a Tetê!), com aquela mania de perfeição, de não perder o ônibus, entrei no ônibus errado, no que estava de saída. Antes, porém, quase invadi o banheiro feminino da lanchonete na parada, gritando pela Tetê, que saiu às pressas. Entrei no ônibus, com o motorista já quase saindo, tal não foi a minha decepção: "Cadê as nossas malas?", "Quem são essas pessoas sentadas em nosso lugar?", indaguei, preocupado para a Tetê, que sorrateiramente percebeu o - meu! - engano e me tirou dali. Claro, às gargalhadas.
Já em Paraty, em meio a vários passeios e besteiras ditas, regadas sempre às gargalhadas, vale lembrar, fomos parar na paradisíaca Trindade, um balneário quase na divisa do Rio com São Paulo. Durante algumas horas de passeio, onde Tetê chegou à Piscina Natural do Cachadaço por uma trilha, eu resolvi ir de barco - era baratinho, rápido e formalizava a minha preguiça em andar mata adentro. Evidentemente, cheguei primeiro e fiquei esperando cerca de 40 minutos, até a Tetê aparecer, para que pudesse tirar fotos nossas - principalmente minhas, agora já exercitando o meu lado leonino. Eis que surge a Tetê, eu estava em cima de uma pedra, olhando para a cara dela, já com raiva por me procurar e não me achar, e eu ali, em frente à ela. Depois de poucas fotos tiradas no Cachadaço, era a hora de voltar. Na volta, Tetê resolveu voltar de barco, junto comigo e mais um casal também do Rio.
Já dentro do barco, outro mico póstumo: o cara, um moreno aparentemente sério, Rodrygo (é com "Y" mesmo, galera, salve a numerologia!), entregou à sua namorada um colete salva-vidas, alegando: "Tome, coloque isto, pois eu soube que hoje já virou um barquinho desse no mar!". Fiquei desesperado, minha vontade era sair dali, pegar um helicóptero e atravessar aquele mar o mais rápido possível. Financeiramente impossível e geograficamente incabível, tive de deixar o medo suplantar a vontade e parti pro abraço. Era tarde demais. O meu desespero era tanto, que eu olhava para a Tetê, que permanecia calada, séria. Ou ela tinha sacado que era armação do cara ou não quis demonstrar seu medo - deixando-me em desvantagem. Tudo bem, respirei fundo, tomei uma coragem que não tinha naquele momento, e perguntei ao Rodrygo: "Escuta aqui, é verdade mesmo que hoje um barco tipo desse aqui virou no mar?". Todos, incluindo a "traveca" da Tetê, explodiram numa gargalhada. Inclusive eu. Eu tive de rir do meu "eu ridículo". Ridículo porquê? Eu tenho medo do mar, pô! Tenho traumas dos caixotes que tomava das ondas na Barra da Tijuca. Esses traumas, nem terapia cura.
O pior de tudo foi a volta: brincadeiras à parte, levaríamos as histórias, mas também a saudade de um lugar maravilhoso, onde eu quero terminar os meus dias, definitivamente. Decidi morrer morando em Paraty, na minha velhice - para ser bem otimista, caso eu não morra por algum acidente social da também maravilhosa Rio de Janeiro. Se eu morrer em Paraty, serei abençoado pelas águas da Praia do Rancho. Se eu morrer no Rio, vou ter o abraço do Corcovado. Fico dividido até em decidir onde quero morrer. Enquanto não morro, vou vivendo intensamente - e voltando outras milhares de vezes em Paraty. Se possível, com a Tetê do lado.

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